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Lesão por pressão: Entenda o que é e suas características

10/01/2020 - 09:41 hs - Feridas
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Para ajudar tanto os cuidadores de pacientes em domicílio quanto os demais profissionais de saúde, preparamos um guia sobre a lesão por pressão:

Fatores de risco

A lesão por pressão tem origem multifatorial. Algumas condições do paciente podem aumentar o risco, como extremos de idades (de bebês a idosos), alterações do nível de consciência, condições nutricionais e de hidratação, mobilidade e umidade da pele, entre outros. Quanto maior o nível de dependência do paciente, mais risco ele terá para adquirir uma lesão por pressão, pois até a alteração do posicionamento do paciente, se não for feito de maneira adequada, pode causar cisalhamento (deslocamento em planos diferentes) e fricção (atrito).

Prevenção

Manter a pele limpa, hidratada, livre de umidade e fazer a alteração do posicionamento pelo menos a cada duas horas, o que pode ser lembrado por meio do alerta de um dispositivo visual. Garantir que o paciente tenha um aporte nutricional adequado é outro fator importante para prevenir esse tipo de lesão.

Incidência e prevalência:

Verifica-se taxas de prevalência de 0% a 29% e incidência de 0% a 17% de lesão por pressão em pacientes hospitalizados. Infelizmente, não temos dados no Brasil que informem valores gastos com tratamento de lesão por pressão. Nos Estados Unidos, de acordo com estudo do NPUAP (The National Pressure Ulcer Advisory Panel), o custo estimado para tratar essas lesões é de 2 mil a 3 mil dólares, com despesas anuais estimadas em 8,5 bilhões de dólares.

A lesão por pressão é considerado um evento adverso que nunca deveria ocorrer em serviços de saúde, mas que ainda é presente.

Para se ter uma ideia da extensão do problema, em 2017, foram utilizados 4,3 milhões de leitos-dia devido a eventos adversos e 4,7 milhões em razão de eventos adversos graves. Estima-se que, dos pacientes portadores de lesão por pressão, cerca de 10% morrem devido a complicações, sendo este um evento adverso evitável em torno de 95% dos casos.

Uma das medidas para controlar esse problema foi a criação, em 2013, pelo Ministério da Saúde do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que em sua resolução (RDC) nº.36 estabelece a implantação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) em serviços de saúde, que desempenha um papel fundamental em todo o processo de implantação do Plano de Segurança do Paciente (PSP). Por sua vez, entende-se por Segurança do Paciente “a redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado à atenção à saúde”.

Como exemplo, no último boletim do PNSP, que contempla dados de 2014 a junho de 2019, estão cadastrados 4549 NSP, em que foram notificados 330.536 incidentes/eventos adversos, dos quais 60.762 (18,4%) são lesões por pressão em estágios III e IV.