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Lesão por pressão: como prevenir?

19/11/2019 - 12:06 hs - Feridas
Lesão por pressão

Como o próprio nome diz, essa lesão acontece em caso de pressão intensa e prolongada na pele. Geralmente, ela surge devido ao uso de algum dispositivo médico ou pela compressão de uma proeminência óssea contra os tecidos (como exemplificado na imagem), o que provoca interrupção da circulação do sangue e morte celular local.

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Ter uma lesão por pressão é algo que abala muito o emocional do paciente, assim como de sua família. Por isso, mais do que só tratar o problema, o importante é prevenir o aparecimento da lesão por pressão. Nesse sentido, quem cuida do paciente em tratamento domiciliar, seja um familiar, um cuidador ou um enfermeiro contratado, tem um papel muito importante: ele é quem será responsável por trabalhar em estratégias preventivas.

Antes de partir para os exemplos de cuidados (que são simples), vale saber que dá para avaliar o risco de desenvolvimento de uma lesão por pressão - uma tarefa que cabe ao profissional de saúde. Ele pode usar escalas de medição, como as reconhecidas mundialmente - Norton, Gosnell, Waterlow e Braden - e também se atentar a variáveis como nível consciência, de atividade, de mobilidade, de incontinência (perda involuntária de urina e/ou fezes) e de condição nutricional do paciente. Quanto mais dependente o paciente, maior o risco de ele ter uma lesão por pressão.

Feita a avaliação desse quadro pelo profissional de saúde, e verificado o risco, deve-se partir para a estratégia preventiva da lesão por pressão, como sugerimos aqui:

  • Higiene corporal e íntima com sabonete neutro, hidratação da pele com creme emoliente e uso de  creme barreira para as partes íntimas.
  • Mudança da posição do paciente em intervalos em até duas horas; se possível, usar algum dispositivo visual que sirva como lembrete/alerta.
  • Avaliação diária da pele para intervenção ao menor sinal de lesão.
  • Utilização de dispositivos como o colchão piramidal (caixa de ovo) ou de ar.
  • Aplicação de espumas com silicone para proteção em regiões de proeminência óssea que façam a manutenção do microclima da pele, previna o cisalhamento (causado pela combinação da gravidade e da fricção) e faça a distribuição da pressão.
  • Intervenção da nutricionista para adaptar a alimentação do portador da ferida. 
  • Não arrastar o paciente na cama ou leito e sim, movimentá-lo através do posicionamento do lençol.
  • Manter o lençol livre de rugas e garantir que seja macio ao toque.

Referências:

WECHI, J. S.; AMANTE L N.; SALUM, N. C.; MATOS, Eliane; MARTINS, Tatiana. Escala de Braden: instrumento norteador para a prevenção de úlceras por pressão. Revista ESTIMA v.15 n.3, p. 145-151, 2017. Disponível em: https://www.revistaestima.com.br/index.php/estima/article/view/544/pdf. Acesso em 26 agosto de 2019.

PARANHOS W.Y.;SANTOS V.L.C.G. Avaliação de risco para úlceras de pressão por meio da Escala de Braden, na língua portuguesa. Rev Esc Enferm USP. 1999; 33 (nº esp): 191-206. Disponível em: http://143.107.173.8/reeusp/upload/pdf/799.pdf.

Guia para Cuidadores de Idosos. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

JORGE, S. A.; DANTAS, S. R. P. E. Abordagem multiprofissional do tratamento de feridas. São Paulo: Atheneu, 2005

SILVA, M. do S. M. L.  Fatores de risco para úlcera de pressão em pacientes hospitalizados. Dissertação de Mestrado em Enfermagem. Área de concentração em Enfermagem de Saúde Pública. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal da Paraíba - 1998. Trabalho vinculado à linha de pesquisa Fundamentação da Assistência, Tecnologia e Instrumentação de Enfermagem, sublinha Renovação de Procedimentos Técnicos e Metodológicos de Enfermagem